Sexta-feira, 18 de Julho de 2008

O Príncipe contra Maquiavel

Política de confronto, Polícia Comunitária, inteligência policial, investigação, política na polícia, polícia corrupta, enfrentamento, PAC da Segurança: há anos o discurso varia nas palavras mas a ação é a mesma, ou seja, apenas o despejo nas ruas de pessoas pouco instruídas, oriundas de classes sem acesso à educação, ,à saúde e à cultura. Pessoas que vão para as ruas pagando uma farda do próprio bolso, com uma arma e virando noites como os dois policiais assassinados na Fonte da Saudade, em um atentado monstruoso contra o Estado. Não se trata aqui de comparar os crimes, e nem de diminuir o horror da morte de João Roberto.
Mas é fato que João Roberto foi morto por pessoas que jamais quiseram matá-lo. Pessoas que pagarão na Justiça pela morte, mas que nunca quiseram, com certeza, matar uma criança. Atiraram porque vivem na política do confronto, da guerra - a solução que se pensou contra o subemprego do tráfico absorvido pelo crime organizado e armado.
No atentado contra o Estado perpretado na manhã desta quinta-feira, a intenção de matar, de cometer um crime bárbaro, está mais do que clara. Esta é a diferença.
Se o Estado brasileiro quiser dar uma resposta só para os PMs que mataram João Roberto e para os PMs que foram (e são) assassinados na esquina, a resposta começa com uma palavra só: SALÁRIO.
Jogar um sujeito com uma arma na mão, fazendo bico de segurança por R$ 30 por noite, para se sujeitar a proteger a população é IRRESPONSABILIDADE.
Precisamos parar com o discurso do idealismo. Nem médico faz mais sacerdócio. Segurança Pública é algo seríssimo, é o setor que mais precisa de intervenção. A tropa precisa de lideranças, comandantes, referências, e SALÁRIO. Salário bom, que permita ao policial pensar duas vezes antes de se corromper. Salário que permita o sujeito dar um presente para o filho. Na verdade, salário que permita ao sujeito ter um filho.
É preciso que a sociedade inteira acorde para o perigo que vivemos: policiais mal-pagos, armados e passando necessidades nas ruas são a gênese do banditismo, da corrupção, da violência, da milícia criminosa, da INSEGURANÇA PÚBLICA.
Não é o salário que "justifica" a corrupção (se fosse assim, na Alerj, Câmara e Senado só teríamos honestos ganhando mais de R$ 7 mil). Mas não se pode mais fechar os olhos, não se pode mais invocar idealismo com o rabo alheio. Não se pode mais negar que a soma Arma + Má formação em casa + baixo salário só dá um resultado: polícia que gera INSEGURANÇA PÚBLICA.
Chega dos erros de todos os governos até agora (principalmente os "democráticos"). Precisamos consertar do zero. Pagar bem e cobrar idem.
Quem comandar esta virada, esta retomada de posição, poderá estar inscrevendo automaticamente seu nome na história.
Quem quiser entender o segredo de tudo, basta ver os quatro vídeos que coloco abaixo, entrevista feita por mim com o tenente-coronel Fernando Príncipe Martins, ex-comandante do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), atualmente na "geladeira", FORA DA PM DO RIO.
É preciso ver e ouvir para entender o que é COMANDAR e LIDERAR(peço desculpas pela escuridão, foi imprevista. O quarto vídeo está mais claro).
O secretário José Mariano Beltrame disse ao colunista Fernando Molica, de O DIA, que não tem sentido o policial se formar e sair da academia para ganhar R$ 1 mil. Foi feliz nas palavras. Que a prática agora traga a luz.



Tenente-coronel Fernando Príncipe defende o velho policiamento a pé


Tenente-coronel Fernando Príncipe lamenta as mudanças de posicionamento de oficiais da PM



Tenente-coronel Fernando Príncipe: "Precisamos fazer alguma coisa é agora, nós é que temos que fazer"



Tenente-coronel Fernando Príncipe: "Não vejo nenhum comandante zelando pela tropa, eles têm medo, estão cuidando de seus interesses, a tropa está à pampa"

8 comentários:

euvigilante disse...

Um pouco de humildade não faz mal a ninguém!
Diz o ditado: “Em terra de cego quem tem um olho é rei!”. Mas fica a pergunta: e se este olho não quiser enxergar, não é a mesma coisa que ser cego? Não, é pior, pois aquele que vê e nada faz se desmoraliza, então seria melhor ele ser totalmente cego!
Mas o ingrediente que certamente deixa a vista turva é à arrogância! O Coronel Gilson Pitta, Comandante Geral da PM e José Mariano Beltrami, Secretário de Segurança, apesar de serem homens honrado, sofrem deste mal. Há um outro ditado que diz: “A arrogância afasta o homem de Deus, porém, a humildade aproxima”.
Ora, se estas palavras realmente entrarem nos corações destas autoridades, esperamos que passem a interagir com pessoas compromissadas, como Deputado Fávio Bolsonaro, que ama e luta pela Corporação e pela segurança pública, bem como o ex capitão do BOPE Rodrigo Pimentel, que sempre realiza comentários de forma técnica e imparcial, seguindo a célebre frase “Doa em quem doer”.

Anônimo disse...

Jornalista HÉLIO FERNANDES Jornal Tribuna da Imprensa.
O governador displicente, o secretário imprudente
Quando é que Beltrame vai embora?

A insegurança do Rio é de tal maneira calamitosa que o cidadão-contribuinte-eleitor não sabe se tem mais medo dos traficantes, das milícias ou dos policiais corruptos. São três vertentes que deveriam começar no secretário de Segurança, um inédito senhor Beltrame, e terminar no conhecido demais, o governador Sérgio Cabral.

Este, itinerante e insensível, só sabe falar depois dos fatos acontecidos. Agir está fora de suas cogitações e até de sua alçada. Quando o jovem Daniel foi morto pelo segurança de uma promotora, disse que isso era um absurdo, não podia acontecer. Não podia, mas aconteceu, o assassino está livre.

Os fatos criminosos e logicamente com enorme repercussão foram se repetindo. E o governador exibindo uma REVOLTA que não se transformou nunca em providência. Quando a polícia deu 31 tiros num carro particular, CONFUNDINDO esse carro com o dos bandidos, ele gritou "isso é um absurdo".

Menos de uma semana depois, a mesma polícia repetia esse crime, CONFUNDIA um carro particular com outro de bandidos (que na verdade nem existia), matou um menino de 3 anos, emocionando a cidade e o País. Nova "REVOLTA" do governador.

E o secretário Beltrame que já deveria estar fora do cargo há muito tempo? É um exibicionista, falastrão, que no seu vocabulário restrito e medíocre tem duas palavras que repete insensatamente: DESPREPARADOS e DESASTRADOS. Se ele é o comandante e dirige uma tropa DESPREPARADA e DESASTRADA, o que faz no cargo?

A cada entrevista, mais disparates desse secretário Beltrame. Garantiu que a solução estaria na criação de uma UNIVERSIDADE (do crime) para melhorar o nível policial. Quanto tempo levaria para formar, montar, inaugurar essa UNIVERSIDADE e melhorar o comportamento da polícia sob seu comando?

Depois, insensato e insensível, garante que "policial tem que revidar, não pode deixar de atirar". Mesmo que não consiga identificar os alvos? Atirem em carros que transportam famílias, nada a ver com bandidos?

Por que, estranhamente, esse incompetente e DESASTRADO Beltrame, inteiramente DESPREPARADO, continua no cargo?

Mas o mais responsável não é o secretário Beltrame e sim o governador itinerante. Em qualquer país do mundo, Beltrame teria sido afastado, atingido pela morte de centenas de inocentes. Sérgio Cabral não toma providências, prefere tomar café da manhã ou almoçar com jornalistas. Aí exibe suas bravatas e suas frases feitas e desfeitas.

Convidou a jornalista Monica Bergamo para almoçar, ela foi, contou na sua página na "Folha Ilustrada" o que aconteceu. O governador itinerante ficou em situação insustentável com o que ela narrou, textualmente. O governador tem que desmentir, ou fica nuzinho (mais ainda?) diante do público que tem pavor dos bandidos e de Sérgio Cabral.

Textual de Sérgio para Monica: "Estou absolutamente seguro quanto ao sucesso da política de confronto direto com os bandidos". Morrem inocentes e ele bravateia. Monica pergunta ao governador: "A morte do menino João Roberto, de 3 anos, metralhado pela polícia, faz parte dessa política?". Cabral fica irritado, usa o tom veemente dos que erram e não reconhecem, responde: "Fazer uma ilação (sic) entre a estupidez de dois policiais e a minha ação de confronto é uma canalhice, cretinice total".

Nova pergunta de Monica Bergamo: "Por que a polícia do Rio matou 528 pessoas só este ano?". Resposta assombrosa do governador: "Nada disso, o que aumentou foi o número de atos de resistência".

Diante da colocação de Sérgio Cabral, cabe a pergunta: o menino de 3 anos resistiu? O administrador Soares da Costa resistiu? E o ortopedista filho do Lidio Toledo resistiu? Ninguém fala mais nele, é o silêncio criminoso dos responsáveis, perdão, IRRESPONSÁVEIS. Parabéns à Monica Bergamo. Jornalismo é para isso.

PS - Depois do tiroteio de ontem no Leblon, Sérgio Cabral afirmou que OS BANDIDOS TÊM QUE SER ENFRENTADOS COM INTELIGÊNCIA. Então ele e Beltrame estão fora.

Anônimo disse...

"Por que, estranhamente, esse incompetente e DESASTRADO Beltrame, inteiramente DESPREPARADO, continua no cargo?"

...porque, ele como delegado federal, sabe muita sujeira do Governador...sabe, por exemplo, de como o Sergio Cabral conseguiu ficar milionário em tão pouco tempo...ter "rabo preso" é um problema...

Anônimo disse...

Caro Gustavo, começa a correr nos quartéis da PMERJ que os Oficiais Superiores ganharam um aumento de cerca de 68% após aquelas reuniões no clube dos oficiais onde se "tratava do aumento para a PMERJ". Já se fala até em cópias de contracheques que provariam isso. Seria bom que esse fato fosse esclarecido. Se for verdade a tropa vai parar. E vai mesmo!

Anônimo disse...

Quem entende de segurança pública?

Diógenes Dantas Filho

Recentemente, durante a maquiavélica negociação do Tenente do Exército inícius Ghidetti de Morais com traficantes do Morro da Mineira, o secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro - no mesmo tom do ministro da Justiça - ocupou os holofotes da mídia para criticar o emprego das Forças Armadas em operações desta natureza, alegando despreparo.

Agora, durante o trágico acontecimento que cuminou com a morte do menino João Roberto Amorim Soares, aquela autoridade considerou a atuação da polícia como "desastrosa" demonstrando "total falta de preparo e critério na hora de agir".

E quem é o responsável pelo despreparo das Forças Armadas e Policiais? Os governantes de diferentes níveis sempre relegaram a plano secundário a problemática de segurança pública pelo fato de os militares e policiais não darem voto. Mas quem paga a conta desta irresponsabilidade é a população.

Não houve reaparelhamento adequado, os meios tornaram-se obsoletos, a seleção de pessoal deixou de ser rigorosa, o treinamento foi descurado por falta de recursos e de vontade, os salários aviltados, sem falar na omissão quanto à imprescindível necessidade de atualizar a legislação para combater e punir a macro-criminalidade.

É muito fácil transferir responsabilidade para terceiros! E foi o que vimos da parte dos governos federal e estadual nestes dois episódios que traumatizaram a opinião pública. Tudo que de bom ou de ruim acontece em qualquer organização conceituada é da responsabilidade também do Chefe. Quando ele não a assume jamais será um Líder!

O Exército não deseja - e nem pode - usurpar a tarefa de segurança pública das forças estaduais. Na terra indígena Raposa Serra do Sol, o Exército não mandou tropa para atuar contra os nacionais, apesar da pressão de cúpula do Ministério da Defesa. Qual o motivo? Além dos riscos para a imagem da Instituição, qual seria o amparo legal?

E por que o fez no Morro da Providência? Não seria uma decisão política regional com o aval do governo federal? Creio que sim! Os governantes gostam de faturar quando as coisas lhes convêm, mas lavam as mãos, como Pilatos, quando tudo dá errado.

A desastrada negociação do Tenente Vinícius com criminosos da Mineira ofuscou temporariamente os problemas de segurança pública do Estado do Rio de Janeiro que voltaram a tona, em toda plenitude - com a tragédia do menino João Roberto. Agora recebe uma pontada funda com a trágica morte de Luiz Carlos Soares da Costa por policiais militares do 22º BPM, quando perseguiam o ladrão que roubara seu carro, levando-o como refém.

Autoridades policiais dizem que o procedimento da guarnição foi correto. Fogo responde com fogo! Porém, não declararam que somente se atira no que se vê, ainda mais com armas de alta letalidade como os fuzis.

Esperamos que esses episódios sirvam de exemplo às autoridades do País para dedicarem a prioridade devida à segurança do cidadão. Lamentavelmente os investimentos em segurança pública ocorrem após as portas serem arrombadas. O remendo sairá muito mais caro sob todos aspectos!
Diógenes Dantas Filho é doutor em Planejamento e Estudos Militares

Investimentos Céus S.A

Anônimo disse...

Palavras corajosas.
Exiba o resto das gravações.
Grato.
Forte abraço.

Anônimo disse...

Realmente o Cmt que se preocupa com os comandados é exonerado. Vide o Cel ubiratam e os Barbonos. Agora é cada um por si, dando o jeito de resolver o que o Estado se negou a resolver: complementam o salário na milícia, na blitz do aterro, no jogo do bicho etc

Alexandre, The Great disse...

O Ten Cel Príncipe é uma raridade na PMERJ. Entretanto é tratado pelo Estado como "lixo", estando "encostado" e sem função desde que entregou seu cargo por recusar-se a comandar uma "tropa de miseráveis fardados".
Um líder como este deveria ser a forja, o ícone para futuros Oficiais da PM e não relegado ao ostracismo e a obscuridade.
Ao tratar policiais da forma que faz com o Ten Cel Príncipe (e outros), o Estado mostra o seu viés perverso, demagogo e corrupto no trato da Segurança Pública.