Quinta-feira, 16 de Julho de 2009

ALERJ TERÁ COMISSÃO PARA ESTUDAR NOVO REGULAMENTO DISCIPLINAR DA PM

Em pleno recesso da Assembléia Legislativa, aparece um sinal de mudança. O deputado Flávio Bolsonaro finalmente consegue encaminhar à mesa diretora o pedido para criação de uma comissão para elaborar um novo regulamento disciplinar para a PM do Rio. Já disse, em artigo do ano passado muito oportuno, o coronel Emir Larangeira: "As leis da PM deveriam estar num museu". A declaração, polêmica, despertou rancores e aplausos direcionados ao articulista. Mas ninguém se sentiu imune à frase.
Depois de tanto tempo, eis que Bolsonaro dá o primeiro passo. E justifica plenamente: "(...) em virtude da necessidade de modernização do atual regulamento em face das conquistas democráticas advindas da Carta Magna de 1988 e da valorização do efetivo da corporação como principal instrumento de uma atividade Policial Militar compatível com as necessidades da sociedade fluminense", discursa Bolsonaro. Na prática, isto quer dizer que num país com leis e Constituição cidadãs, a PM precisa tratar com mais humanidades os seus pares.
Bolsonaro bate na questão da possibilidade de se colocar policiais inativos sob conselhos de disciplina. O que, em outras palavras, deixa a vida de um aposentado nas mãos de um comandante-geral."Isso com a agravante de que tais medidas não se condicionam à prática de crime, podendo ser aplicadas por subjetivos critérios disciplinares administrativos!", reclama Bolsonaro.
Antes de apresentar o requerimento para a histórica comissão, Flávio Bolsonaro homenageou o novo comandante-geral da PM, mostrando que a paz agora é possível e duradoura:

DISCURSO:

Aproveito a oportunidade, já que estamos numa Sessão durante o recesso parlamentar, para dar boas-vindas ao novo Comandante-Geral da Polícia Militar, o Coronel PM Mário Sérgio Duarte, pessoa do mais alto gabarito, que dá agora outra cara à Polícia Militar e certamente vai rumar para a modernidade daquela importante instituição.

Estarei em reunião com o comando da corporação o mais rapidamente possível. Agora, sim, há o clima, há a intenção de olhar para os integrantes da corporação por parte do seu chefe, o comandante-geral. Vou poder levar várias e várias iniciativas que temos, por ocasião do nosso mandato parlamentar, para o comandante, Coronel Mário Sérgio, e tenho certeza que serão muito bem recebidas as ideias, como por exemplo a revisão do regulamento disciplinar, a questão do fim da prisão disciplinar, a estabilidade dos nossos praças, a questão das inclusões como estavam acontecendo. Tenho a certeza que a partir de agora haverá um critério, haverá um respeito à legislação, haverá um respeito à Constituição do Estado na hora de julgar um servidor público, que é o caso do militar.

Então, é só para dar esse recado. Tenham confiança, tenham convicção de que, a partir de agora, os integrantes da Polícia Militar vão passar a ter cidadania, vão passar a ter respeito, porque no comando da Corporação há uma pessoa preparada, que gosta da Polícia Militar e que quer, sem dúvida alguma, deixar a sua trajetória marcada positivamente. Para isso, é importante que tenhamos sempre esse diálogo, as portas abertas para que possamos ajudar esses integrantes da Polícia Militar a resgatar a vontade de trabalhar, a resgatar todo aquele sentimento, que, ao longo de sua carreira foi se perdendo por causa do péssimo tratamento dispensado por alguns Comandantes Gerais passados.

Então, as boas vindas ao Coronel Mário Sérgio.

Quarta-feira, 15 de Julho de 2009

Fundada a associação dos familiares das vítimas do Air France



Marteen van Sluys, irmão da jornalista Adriana (acima), e Nelson Marinho, pai de Nelsinho, são os líderes que resolveram partir para a briga em defesa dos que, como eles, perderam entes queridos no trágico acidente com o Airbus. Nesta quarta-feira 15 eles voam rumo a Paris para se encontrarem com a associação equivalente local. De lá, no sábado, seguem para a Alemanha, onde haverá encontro das três associações.
A união fez a força. A Air France que se prepare. Vem chumbo grosso aí.

Um golaço da PM

Nesta quarta-feira, dia 15, a PM do Rio marcou um daqueles gols que o Fantástico jamais passará na resenha de domingo - com certeza porque, a exemplo de muitos dos golaços de Pelé, não havia câmera perto registrando. O Proerd, programa de resistência às drogas da corporação, reuniu 720 crianças de nove escolas municipais (em 20 turmas de alunos) em uma festa na qual foi celebrada a harmonia e a cultura. Entre as crianças, Bruno, morador da Rocinha - onde foi a festa - que foi longe no programa Soletrando. Este ganhou um belo dicionário pelas conquistas na televisão.
Outros 20 livros clássicos - Monteiro Lobato, fábulas de Esopo, contos dos Irmãos Grimm, Mitos Gregos - foram distribuídos aos alunos que ganharam o posto de melhor redator de cada turma.
Todas as escolas reuniam alunos carentes, vulneráveis à sedução do poder do tráfico e das armas. Mas nesta manhã, o Proerd, além de já ter transmitido conhecimento sobre drogas, ainda deu aos alunos a vontade de competir saudavelmente. E assim, entenderem que competir é, acima de tudo, conviver.
A semente lançada no Proerd pela major Tânia Loos sempre dá flores e frutos. Mas acima de tudo, o trabalho dos praças da equipe atual deve ser reconhecido. Eventos como este reforçam a idéia de que a PM é sim, uma força de paz, e que só faz a guerra quando tudo o mais falhou.
Insatisfeita em só fazer guerra, a PM quer ajudar onde os outros estão falhando.

Terça-feira, 14 de Julho de 2009

A dor e a missão




O tenente-coronel está em pé, na sala larga, de móveis simples e pequenos, com um banheiro no meio da parede em frente à mesa. Braços cruzados, sorri enquanto fala do batalhão, tanto do prédio, no alto do bairro das Laranjeiras, quanto do efetivo, formado por policiais preparados para qualquer confronto. Um capitão bate à porta. Os dois se prestam continência quase instintivamente. "Sou de infantaria", explicaria ele mais tarde para que os outros entendessem o militarismo no sangue.
O capitão se dirige a ele dizendo que a unidade da madrugada acabara de chegar (eram 14h) da missão em Bangu, onde armas foram apreendidas. "E cinco elementos foram mortos em combate". O rosto do tenente-coronel se modifica. Ele fica sério. Não triste, porque seria cinismo. Mas sério, porque se falou na morte. "Muito bem, capitão. Foi importante a missão ser cumprida sem que nenhum dos nossos fosse ferido", diz ele. O capitão sai, cumprimentando. E ele se vira para nós, ali, em pé:

- Tento combater essa história de "celebrar a morte" entre meus homens. Quero que eles sintam que é mais importante e vitorioso eles voltarem com vida do que necessariamente terem matado pessoas - diz ele, sério.

Como interlocutores, ninguém que ele estivesse tentando agradar ou conquistar, nenhuma ONG ou coisa do tipo. Apenas um jornalista e uma Madrinha.
O passeio continua até o refeitório, onde é servida a refeição. Proteína pura. Frango ensopado, feijão, muito feijão. Arroz. Quem faz a comida é Caveira. São refeições fortes. Mas é bem comida de soldado. O cara sai dali direto pro combate aos leões na arena, se vacilar. O tenente-coronel ri, percebendo que o frango ensopado desceu mal - quase como se em vez de ensopado estivesse com areia. Descemos até o saguão onde há fotos gigantescas de desfiles e operações policiais. Numa das fotos, de frente, um policial que era amigo da Madrinha. Morto em 2004, ele. O tenente-coronel se lembra dele como se vivo estivesse. Tem recordações dos treinamentos, da amizade, do convívio, das piadas. É quase um amor viril, um amor entre homens mas que nada tem, obviamente, de "contato físico". É amor de guerreiro.

O comandante nos leva então à saída. Ele está todo de preto, mas seu semblante não denota luto ou medo. Está com seus irmãos de céu e de terra.

Passei uns três anos sem vê-lo. Quer dizer, sem ver este tenente-coronel. Via, sim, de vez em quando, um oficial da Polícia Militar trabalhando. De lá para cá, assumiu um cargo mais ou menos burocrático, mais ou menos operacional, usando paletó e gravata. Mas na mesa - igualmente simples - estava lá, uma miniatura do Caveirão. A mesma que o coronel Jardim deu de presente ao relator da ONU, Philip Alston. Naqueles dias, planejou a maior operação da história do Complexo do Alemão, que mobilizou todas as revistas semanais e jornais da classe média. Capas sangrentas, mas a favor da entrada nas favelas, da matança, do sangue. O secretário de Segurança, aplaudido no Canecão.
Lição número 1: nem só de sangue vive o estômago da classe média. Assaltos, mortes, falta de segurança fizeram com que o triunfo no Alemão fosse esquecido. E até contestado. Meses depois, o PAC bloqueou a entrada da polícia. O sucesso da operação passou a ser definitivamente um fracasso, ainda que a polícia tenha tocado em locais jamais alcançados antes pelo Estado.
Logo ele virou presidente de alguma coisa - do instituto que divulgava as estatísticas de segurança. Mal assumiu e já era acusado de manipulador dos índices. Tomou medidas polêmicas, se expondo às críticas - justas - dos pesquisadores, como a de separar encontro de cadáver dos homicídios na hora de contabilizar.
Mas no fim, divulgou aumento de roubos, de furtos, de latrocínios, de homicídios, de roubos de carros, enfim, de tudo que atinge diretamente a sensação de segurança. Fez um trabalho isento. Chamou para a mesa pesquisadores, ativistas, jornalistas. E até o pai do menino João Roberto. Não chorou na frente dele, como aconteceu com todos na mesa. Mas conteve as lágrimas. Tal e qual um kamikaze da Opinião Pública, fazia questão de dizer que a morte do menino foi um erro muito grande, muito terrível, que a polícia precisava melhorar, mas....O "mas" não saía da garganta. Mas era algo do tipo "parem com o linchamento, foi um erro, foi incompetência, mas ninguém em sã consciência quer matar uma criança".
O terno e a gravata logo voltaram para a naftalina. Veio a farda azul de comando de toda a tropa. Entre uma frase e outra, era possível ver traços daquele tenente-coronel de três anos antes. Até que um cabo do Bope foi morto.
E eu finalmente revi aquele tenente-coronel todo de preto, com um semblante que não denotava luto ou medo, e sim a dor máxima, sincera, de perder um irmão de farda. A dor de perder o amigo, o comandado, o companheiro de armas. Uma dor lancinante, inexplicável. Naqueles minutos, cantando a canção do BOPE, ninguém percebeu, mas a Polícia Militar esteve sem comandante-geral. Esqueçam: ali não havia alguém de azul fazendo contas ou projetos de como melhorar a PM ou de como diminuir índices de segurança. Ali havia um ser humano em estado bruto. Alguém que queria estar um pouco junto do amigo que vai na viagem sem volta.
Um homem de preto tentando entender, se recusando a aceitar, esta que é esfaqueada eternamente no símbolo de seu uniforme. O tenente-coronel, todo de preto, estava de volta e chorava só porque as lágrimas dos vivos pertencem ao sangue dos heróis mortos.
Me lembrei porque os dois tenentes-coronéis, apesar de serem a mesma pessoa, são tão parecidos: eles apenas sabem da missão.

Bastidores no Twitter

A Twittosfera da Segurança Pública começou a nascer, e, como não poderia deixar de ser, repleta de denúncias - tal e qual começou a dita blogosfera. Hoje há nomes como @CherlockHolmes (com C mesmo), @cassuleta, @queronoticia e @bocadesabao que estão soltando informações de bastidores para todos os lados.
E para quem gosta de charadas, há o twitter do coronel Samuel Dionísio, ex-chefe do Estado-Maior da PM: @sddionizio. Mas prepare-se: como eu disse, ele fala por enigmas.

Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

A missão árdua do Caveira 37 - ou "O cara do fax"

Ao assumir a PMERJ, o coronel Mário Sérgio de Brito Duarte já apontou para a necessidade de melhorar o funcionamento interno dos batalhões para que estes demandem por menos agentes administrativos. A idéia é trazer mais policiais às ruas. Mas pelo jeito, o oficial vai ter muito, mas muito trabalho.
No sábado, conversei demoradamente com um oficial da reserva que me contou a conversa que ele próprio teve com um tenente que trabalha em Comando de Policiamento de Área. O tenente se mostrava preocupado com a vindoura reforma e perguntava se não conhecia um "bom batalhão para ele ir trabalhar".
Aí o oficial me conta o que ouviu: "O cara era faxista do CPA. Faxista, ou seja, enviador de fax. Perguntei qual a escala dele".
- 12 por 48.
Ou seja, neste CPA haveria então CINCO oficiais encarregados de enviar fax. Tudo bem, documentos importantes, como ordens de policiamento.
A PM gasta cinco oficiais e ainda gasta papel de fax; melhor seria: operacionaliza-se o processo, ordens despachadas por email e um abraço. O batalhão que imprima em papel comum. O próprio oficial responsável pela ordem de policiamento enviaria as ordens, com cópia inclusive para superiores.


Mário Sérgio tem árduas tarefas pela frente. Uma delas é tirar a PM da idade da pedra.

Sábado, 11 de Julho de 2009

A banalidade do horror carioca

A morte chocante de um jovem estudante da FGV.

Alfredo Sirkis
Hoje não li nos jornais nenhuma notícia sobre o assassinato do jovem Diego Fonseca da Costa, estudante de administração da FGV e do nosso curso de formação de lideranças verdes da Fundação Hebert Daniel.

Era um garoto simpático, de 22 anos, esforçado, de uma modesta familia da zona oeste, que conseguira a custa de muito estudo e esforço transcender aquela realidade para uma promessa de vida melhor. Segundo meu filho era um grande tocador de cavaquinho.

Tudo isso se esvaiu num segundo louco em que algum bandido lhe deu três tiros e roubou seu tenis. Não me parece, no entanto, que tenha sido um simples latrocínio. Diego foi assassinado juntamente com um amigo, de 30 anos, Jocelino, que na verdade parece ter sido o alvo prioritário. Especula-se que tenha sido reconhecido por traficantes e como amigo de outros de um bando rival. E Diego foi de roldão. Há testemunhas que ouviram gritos de "não tenho nada a ver com isso!"

Ambos iam recolher outro garoto para irem a igreja. Diego era religioso e completamente distante do mundo abjeto que o matou.

Abri os jornais de hoje. Supunha que por ser um universitário da FGV merceria pelo menos um registro. Mas havia outros crimes mais espetaculares, uma menina morta num assalto de banco, era manchete. E Diego não foi sequer citado como mais uma baixa dessa guerra absurda que roi o fígado de nossa Cidade. Isso me irritou e mandei essa carta para O Globo:

A morte violenta tornou-se algo tão banalizado no Rio de Janeiro que a imprensa sequer noticiou o brutal assassinado de Diego Fonseca da Costa, estudante de administração da Fundação Getúlio Vargas, ontem de madrugada, em Santíssimo, junto com outro jovem. Faço-o aqui pelo registro. Ele era um dedicado e promissor bolsista da FGV e fazia também o nosso curso de formação de lideranças verrdes da Fundação Hebert Daniel. Estatisticamente esse crime tem 90% de chance de não ser desvendando e permanecer impune e, caso seus autores venham a ser identificados, presos e condenados, se tiverem um bom advogado, ainda poderão evitar a prisão até o julgamente em última instância e, finalmente presos, poderão sair em 3 ou 4 anos pelo mecanismo da "progressão de pena". Se forem menores, nem isso... A banalização da morte violenta e a desvalorização da vida humana, no Rio e no Brasil, são auto-explicáveis. Alfredo Sirkis, vereador do Partido Verde-RJ.

Fui com meu filho ao enterro de Diego no cemitério de Campo Grande. Pegamos engarrafamentos e chegamos um pouco tarde. Não me ocorreu nada de pertinente ou grandeloquente, nenhuma dessas coisas que os políticos gostam de dizer. Nada havia a dizer...

Apenas abracei seu pai e sua mãe e prometi ao seu professor de colégio que usaria de toda influência que possa ter na polícia para que esse crime seja desvendado e seu autores presos. Quase me envergonho de dizer uma coisa dessas mas é evidente que minha influência política fará com que o crime seja investigado com mais afinco do que se não a utilizasse para tanto, ainda mais este crime, em Santíssimo, que sequer mereceu uma notinha de pé de página. Diego terá pois esse póstumo "pistolão".

Não sei o que escrever mais, tamanho horror, tamanho desperdício, tamanha desumanidade. Só sei isso: seus assassinos precisam ser urgentemente descobertos, presos ou neutralizados, antes que matem de novo porque sua facilidade para tirar vidas inocentes e promissoras é total. Vão repetir o ato até serem impedidos de fazê-lo.

Isso é uma certeza e precisamos detê-los.

Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

EXTORSÃO DE R$ 10 MIL LEVA CABO PM DA "NOITE LEGAL" AO CONSELHO DE DISCIPLINA




Deve haver problemas no controle dessa Operação Noite Legal - diferentemente do que ocorre na Operação Lei Seca, onde os relatórios são diários e a dita "flexibilização" é zero. Na Lei Seca, infrator é punido e ponto final. Já na Noite Legal, a Corregedoria Geral Unificada descobriu que um cabo ofereceu liberar a boate Taj Lounge, na Barra da Tijuca, considerada intransitável no dia 30 de maio durante uma fiscalização. O empresário, de nome Fabrício, tentou contato com o delegado Marcos Castro, coordenador da operação, mas este obviamente estava muito ocupado e não pôde atender.
Coincidentemente, minutos depois, segundo o apurado pela CGU, um cidadão de nome Brito telefonou para Fabrício. O cidadão se identificou como subordinado do delegado Castro na Noite Legal e marcou encontro no estacionamento da casa de entretenimento Ilha dos Pescadores.
O querido leitor, por favor, não perca o fio da meada.
Lá na Ilha dos Pescadores, Brito disse a Fabricio que com R$ 10 mil seria possível liberar a boate para funcionamento. Chora daqui, chora dali, e os R$ 10 mil viraram R$ 8 mil.
A esta altura, os agentes da CGU e da Subsecretaria de Inteligência já tinnam Brito sob controle. No dia e local da entrega do dinheiro (dia seguinte, no terminal de ônibus, seguindo depois para a Barrinha, perto da delegacia), o cerco estava prontíssimo. Preso Brito, os agentes - como sempre, atentos - notaram que a poucos metros dali, coincidentemente, estava a Blazer do delegado Marcos Castro. O mesmo logo foi encontrado. E disse que estava com um amigo perto dali, em um restaurante.
Os agentes da Inteligência repararam que do restaurante poderia se vislumbrar toda a transação então fracassada. Mas isto era, claro, uma coincidência, bem como o fato de que havia uma ligação do delegado para o celular de Brito momentos antes da prisão.
Resultado disto é que, apesar de dinheiro nenhum ter sido localizado como prova, Brito dançou miudinho e agora vai a Conselho de Disciplina.
Já o delegado, deve ter se sentido péssimo por abrigar em sua equipe - sem nem ter idéia de nada - alguém envolvido com uma ocorrência destas. Antes não tivesse ido almoçar no mesmo local da transação, talvez a decepção fosse menor.

Sensação de (in) segurança e a missão das praças


Formatura de praças no CFAP (foto do blog de Roberta Trindade)

A newsletter (ex-blog) do ex-prefeito Cesar Maia divulgou nesta sexta-feira alguns dados de uma pesquisa encomendada pelo Partido Verde. Nesta, foram incluídas perguntas sobre Segurança Pública. O diagnóstico é bem desfavorável ao governo, o que apenas corrobora a necessidade de mudar o comando da PM a fim de dar um choque de credibilidade - e de diálogo com a sociedade - na política de segurança.
Uma pergunta, relata o prefeito, é bem objetiva: se o entrevistado se sente mais seguro. Para 60%, nada mudou em relação ao governo anterior. E para 25%, a coisa está pior. Apenas 12% se sentem mais seguros hoje.
Como não poderia deixar de ser, o carioca se sente menos seguro da Tijuca para cima. E um pouco no Centro.Esta fatia - Tijuca, Zona Norte, Centro - representa 60% da população da cidade. Só 10% dela se sentem mais seguros.
Cesar prossegue: a região de maior equilíbrio é Bangu: lá, 73% acham que está tudo igual. Ou seja, os extremos está bem/está mal acabam ficando em torno de 10% cada um. Em Jacarepaguá, 52% não veem diferença entre Rosinha e Cabral, e 22% é a porcentagem tanto de "está melhor" quanto de "está pior".
O resultado, no entanto, que mais importa, é o de Zona Sul/Barra, que é para onde qualquer governo procura dirigir suas políticas de Segurança Pública. É para onde a mídia está olhando, é onde o turista está (e, portanto, tem mesmo que ter mais segurança, já que infelizmente o turismo é um dos principais geradores de riqueza - não é bom que seja dos principais), é onde os fatos repercutem nos jornais, é onde está o consumidor do produto que anuncia nos jornais.
Na região Zona Sul/Barra, 69% acham que nada mudou. Resultado, a meu ver, que até poderia ser comemorado. Mostra uma percepção até otimista. Cerca de 18% se sentem mais inseguros e 12% mais seguros.
O problema é que 69% da Zona Sul achar que está tudo a mesma m(*) é um resultado muito ruim para um governo que já passou dos 60% de tempo de mandato.
Há cerca de um ano, alertei em outro blog que muitos praças - insatisfeitos e com razão - partiriam para a Operação Padrão disfarçada. "Quem não trabalha não erra, quem não erra não é punido", é a tônica. Na época, houve reações diversas. Hoje, se jogarmos a frase no Google - "Quem não trabalha..." - a veremos em vários blogs de Segurança Pública.
A sorte de todos é que o novo comandante-geral tem toda a percepção dos anseios dos praças. Do coronel Mário Sérgio jamais partiria uma frase grosseira como "quer ganhar bem vai para a Marinha" - até porque ele jamais citaria uma das FFAA por motivo torpe.
Uma das principais missões do coronel Mário Sérgio será esta: motivar o praça, fazê-lo acreditar que até o fim do ano virá um aumento, engajar os praças nos programas que possibilitam aumento de vencimentos, em suma, trazer o praça para a missão.
Acredito que o novo comandante-geral tem a credibilidade e a liderança que possibilitam o cumprimento pleno da missão.

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Será difícil não ler nada sobre os coronéis Edite Bonfadini e Solange Vieira, respectivamente novas comandantes do 13ºBPM (Praça Tiradentes) e 4ºBPM (São Cristóvão), no próximo domingo. A simpatia das duas está conquistando a mídia. Jornais e revistas preparam material.


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De um total de 24 horas (três turnos de oito) que deveriam ter sido dormidas de terça até esta sexta, o coronel Mário Sérgio dormiu no máximo 11. Reuniões e visitas a batalhões parecem não ter fim.
Mas ele sabia que a missão era pedreira.

Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

Começam as mudanças

Nem bem a festa de posse acabou no Quartel-General e duas mudanças já são levadas a cabo em dois dos principais batalhões da Zona Sul. Em Copacabana, o coronel Rogério Seabra, ex-PM5 e Proerd, assume o comando no lugar do coronel Edson de Almeida. E no Leblon cai o coronel Lima Castro e assume o coronel Sérgio Nascimento, até então diretor-interino do BEP.
E se eu fosse o comandante do 2ºBPM (Botafogo) não faria inscrição em videolocadora no bairro para não ter que andar muito pra devolver filme.